O programa Mercado & Competências já passou por algumas cidades catarinenses. Em Brusque, por exemplo, o evento ocorreu no dia 25 de maio, reunindo cerca de 60 pessoas na sede do SENAI, para a palestra “Gerenciamento de Colaboradores da Geração Y”, com a consultora e escritora Andrea Huggard-Caine. A palestrante falou do perfil dessa geração, que nasceu conectada à internet e ao celular, que não vive sem as redes de relacionamentos e que daqui a quatro anos serão a metade da força de trabalho no mundo. Saber interpretar o pensamento destes jovens de 20 e poucos anos é um desafio para os gestores de RH, que terão que lidar com eles de um jeito totalmente novo. Quem são Eles não conheceram a inflação, cresceram jogando videogame e assistindo aos Power Rangers. Vivem conectados uns aos outros e ao mundo através de celular, internet e rede de relacionamentos. Influenciados pelos games, eles gostam de estar no comando, de ser a estrela. Não têm problemas com a diversidade e conseguem conviver com diferentes perfis, já que nos jogos eles mesmos podem assumir qualquer identidade. A filosofia A filosofia dos jovens líderes é: “se eu tenho as ferramentas certas, eu ganho. Podem aparecer situações inesperadas, mas eu tenho o controle.” Andrea alerta que não é bem assim. “Ter todos os recursos não significa que a pessoa vai conseguir fazer tudo certo. Essa é a primeira desconexão que existe entre a vida real e a percepção da geração Y, e a empresa tem que lidar com isso”. Outra característica herdada dos games é a crença de que sempre existe uma solução certa para cada problema. Mais uma vez, Andrea diz haver uma distorção da realidade, já que não existem respostas únicas e ideais, e, às vezes, pode ser um caso perdido, sem saída. “Eles não sabem lidar com a ambiguidade. A empresa terá que auxiliar o jovem a enxergar que existem inúmeros caminhos.” Sem medo de errar Não ter medo de errar valeu a essa tribo o título de geração Game Over. “Eles não gostam de errar, mas não têm medo. O problema é que nem sempre o método ‘tentativa e erro’ dá certo. A vida na empresa não é igual aos jogos, que dá game over, mas depois se pode reiniciar. O erro gera consequências, que devem ser consideradas e avaliadas”, explica Andrea. “Por outro lado, esse perfil pode ser positivo, já que o ritmo das mudanças está acelerado e o ambiente que os jovens vão encontrar é novo. Um pouco de ousadia será necessário.” A frequência dos erros é minimizada pelos retornos que eles recebem de seus superiores. “Essa geração precisa de feedback, senão fica perdida. A dica para os gestores é dar feedback constante, pelo menos uma vez por dia. Nos jogos de videogame, há gráficos e indicadores o tempo todo, mostrando o desempenho do jogador.” Sem raízes com a empresa A geração anterior, chamada de geração X, criava fortes vínculos com a empresa em que trabalhava, buscando cargos quase que vitalícios. Ao contrário, a Y não tem esse tipo de relação e compromisso. “Se eles não gostam da empresa, largam. Por isso, retê-los é um desafio. Não adianta investir a longo prazo, porque esses profissionais estão ficando cada vez menos em um só lugar. Eles sabem que têm oportunidades fora dali”, afirma Andrea, ressaltando que esse é um ponto frustrante para muitas organizações. Você se lembra do Splinter ou de Zordon? Se você não nasceu perto dos anos 90, provavelmente não. Mas até quem é desta geração pode se esquecer dos líderes – discretos e coadjuvantes – das tartarugas ninjas e dos Power Rangers. Essa referência cresceu com os jovens, que, hoje inseridos no mercado de trabalho, continuam enxergando a figura do líder como um sujeito que articula, mas que não aparece. “Ele deve ser aquele que dá as diretrizes, e deixa o profissional caminhar sozinho. Os altos cargos das empresas precisam se acostumar com isso e rever as noções de liderança”, sugere a consultora. Perícia no trabalho em grupo Uma capacidade exigida pelo contexto atual é a de trabalhar em grupo. Para Andrea, isso a geração Y sabe fazer muito bem. Na nova percepção, quem compartilha seu conhecimento é admirado, e não mais aquele que o guarda para si. “Por isso, participar de fóruns e trocar opiniões é tão importante e frequente. Eles reconhecem que cada um tem uma habilidade, e que juntos conseguem fazer melhor.” Cabeça multifuncional Escrever um trabalho para faculdade, de olho na televisão, ouvindo música, respondendo às mensagens do Twitter. “A geração Y é totalmente multidisciplinar, sua atividade cerebral é diferente. Eles fazem várias coisas ao mesmo tempo, analisam e aprendem muito rápido”, avalia a consultora. Essa ânsia de realizar várias tarefas simultaneamente se reflete no trabalho, e Andrea dá a dica para os gestores: “Têm que dar desafios e coisas diferentes para eles fazerem. Se quer perder o funcionário, dá um trabalho de cada vez. Ele não vai gostar, vai ficar entediado. A solução é passar cinco tarefas, dar o prazo, e deixar que ele decidida como vai se organizar.” Para Andrea, a geração Y se encaixa no perfil exigido atualmente, que é saber trabalhar em equipe, ter espírito de liderança e ser capaz de desempenhar várias atividades. “O problema é que quem está no comando não entende essa geração.” |