Várias ações de responsabilidade social estão sendo promovidas pela iniciativa privada para conscientizar seus colaboradores, muitos dos quais fora dos grupos de risco considerados pelo governo (gestantes, idosos e adultos com doenças crônicas, bebês de seis meses a dois anos, além de jovens entre 20 e 29 anos e adultos com até 39 anos de idade). A Associação Comercial de São Paulo (ACSP), com o apoio da Secretaria da Saúde do município, já vacinou cerca de mil colaboradores. Segundo a enfermeira Elaine Cardoso de Almeida, responsável pelo ambulatório da ACSP e coordenadora da campanha, a ideia era facilitar a vida dos profissionais. "Com essa medida, tanto a empresa quanto o colaborador são beneficiados, pois evitamos que a pessoa precise se deslocar até um posto de saúde", diz Elaine. Outra ação para evitar a gripe foi realizada pela Eternit, líder na fabricação de telhas. De acordo com o gerente de saúde ocupacional, o médico Milton do Nascimento, a empresa promove ações na área de saúde ocupacional há vários anos. “Sempre tivemos essa preocupação, não só com vacinas, mas também com medicina preventiva e ginástica laboral”, explica. O médico lembra ainda que, nas localidades mais distantes onde a empresa atua, os colaboradores são informados sobre as campanhas de vacinação do governo. “Temos vários informativos internos que trazem o calendário de vacinação do Ministério da Saúde e estamos sempre à disposição para tirar dúvidas que o profissional possa ter”, finaliza. As empresas de logística, responsáveis por boa parte de distribuição de mercadorias nas grandes capitais, têm uma preocupação maior com seus colaboradores, exatamente para não comprometer a entrega de seus clientes. A TGestiona, do Grupo Telefônica, conta com 1.500 profissionais, sendo metade da área de logística, localizada em galpões.
Por essa razão, a gerente de RH, Gestão e Benefício da empresa, Luciana Brincalepe, afirma que transmitir as informações sobre doenças aos colaboradores ajuda muito. “Nossa preocupação é dar noções de cuidados com qualquer doença, incluindo a gripe suína”, conta a executiva. No auge da epidemia, as profissionais gestantes da empresa eram orientadas e monitoradas por médicos com contato direcionado para cada uma delas. Em ação conjunta com o Instituto Emílio Ribas, a TGestiona também realizou palestras para colaboradores e pessoas que trabalham em companhias parceiras, além de vaciná-los, em outros anos, contra outras doenças. Graças à metodologia simples dos boletins informativos, enviados para a residência do profissional, e a adesão dos colaboradores, o trabalho de prevenção na empresa se tornou mais fácil, diz Luciana, para quem s ações preventivas são o melhor remédio para manter o funcionário saudável. Dicas contra a gripe Alguns cuidados para evitar a gripe H1N1 são simples. De acordo com a médica infectologista do Hospital São Camilo Cláudia Binelli, lavar as mãos constantemente ajuda muito. “Água e sabão bastam; além disso, se possível, evite locais fechados e, quando espirrar, não leve as mãos à boca, pois o vírus se dissipa no ar através de gotículas provenientes do espirro.” A médica lembra que o vírus da gripe A é mais forte que o da gripe comum, e, por isso, sua capacidade de matar é maior. “O H1N1 não difere muito, por isso é preciso atentar para a febre muito alta aliada à insuficiência respiratória”, alerta a infectologista. De acordo com a médica, o sistema de ar-condionado das empresas tem de usar o sistema de exaustão (troca de ar), pois o vírus Influenza A se dissipa no ar e, em locais fechados, como escritórios, o contágio ocorre com frequência. O exame de pacientes suspeitos de terem contraído o vírus é bem elaborado (o chamado PCR, sigla em inglês para o termo “reação em cadeia da polimerase”) leva, em média 72 horas para ficar pronto. A infectologista acredita que, um ano depois do início da epidemia, os hospitais públicos estão preparados para lidar com o vírus da gripe suína. Para os casos mais graves, diz ela, o Instituto Adolfo Lutz é o mais indicado para conduzir o tratamento. |