Aumenta a pressão por redução da jornada de trabalho e algumas empresas já adotam a medida
Desde 1995 discutida como Proposta da Emenda Constitucional 231, a ideia da redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais dá sinais de que pode estar prestes a sair do papel
 

Atualmente ela tramita pelo Congresso Nacional. Em ano eleitoral, a pressão para que a proposta se torne uma norma oficial aumenta. A discussão do momento é se ela realmente ajuda a gerar mais empregos ou se pode, também, ter efeitos devastadores sobre algumas empresas.
 
“A questão que torna o projeto da redução da jornada de trabalho polêmica é que é difícil estabelecer uma regra que favoreça a todos. O sucesso da medida depende muito do tipo de indústria e da função do trabalhador”, diz Andrea Huggard Caine, consultora de Recursos Humano da HuggardCaine Consultoria e Gestão em Recursos Humanos.

Defendida por muitos sindicatos, a medida é um mecanismo para aumentar o número dos postos de trabalho, já que seriam necessários mais funcionários para realizar os mesmos serviços. Dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), por sua vez, indicam que adotar a carga de trabalho menor teria um custo de produção 1,99% maior para as companhias, o que não teria um impacto tão significativo sobre o balanço final.
 
A equação da geração de empregos, no entanto, pode não ser tão simples. “Contratar mais pessoas significa mais custos para as empresas e algumas podem não ter como arcar com eles, o que as forçaria a diminuir a produção e, consequentemente, reduzir o quadro de funcionários”, explica Andrea.
 
Entidades como a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) defendem que a proposta, além de não gerar mais empregos, poderia, sim, influir negativamente sobre os níveis de produção e, assim, comprometer a competitividade das companhias brasileiras. Para exemplificar, a instituição cita a redução determinada em 1988, de 48 para 44 horas, que não gerou novas oportunidades.
 
A consultora explica que, em algumas funções, independentemente de resultar na criação de empregos, o sucesso da ação está diretamente ligado ao trabalho realizado pelos funcionários. “Em uma unidade fabril, em que as funções podem afetar a qualidade de vida, a jornada já é reduzida. Já para quem trabalha com atendimento, ficar menos tempo no escritório pode ser prejudicial”. Segundo Andrea, é o próprio mercado que acaba por regular a jornada ideal.
 
Motivação e produtividade
 
Enquanto a questão legal não se define, algumas empresas começam, espontaneamente, a encontrar as melhores soluções para suas realidades. É o caso do laboratório Buenos Ayres, que desde 15 de março adotou a prática e, agora, colhe bons frutos da decisão: um aumento de 20% na produtividade sem novas contratações. Lá, uma boa política de recursos humanos garantiu que os funcionários, ao serem exigidos por menos horas, ficassem mais motivados e produtivos.
 
“Desde a metade de 2009 vínhamos estudando maneiras de pôr a medida em prática sem acarretar novos custos nem perder em qualidade”, explica Sérgio Marques, diretor-presidente do Buenos Ayres. A solução encontrada foi decidir em conjunto com os próprios funcionários, que optaram por ter a jornada reduzida. Isso fez com que todos se sentissem parte da decisão e se esforçassem para manter o benefício.
 
Marques considera que, com a mudança, os trabalhadores ganharam em qualidade de vida, pois têm mais tempo com suas famílias, ou para estudar, e isso tem se refletido na rotina da empresa. “Conseguimos resolver muitos dos nossos problemas. Ocorreram uma valorização do emprego, queda da rotatividade e melhoria no ambiente de trabalho”, explica.

 
Fonte: Texto de por Lucas Toyama / Canal RH
 
 
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