Afinal, os meses de janeiro e fevereiro são os mais pesarosos do ano quando se fala em gastos. Além dos conhecidos IPTU e IPVA, que são cobrados no primeiro mês do ano, é necessário também se planejar com a volta às aulas, entre outros custos de vida sazonais.
Por isso, esses recursos que geralmente vêm para ajudar nas compras de Natal e nos gastos do próximo ano, se antecipados sem planejamento, podem acabar representando um tiro no pé. Para o consultor financeiro Alexandre Lignos, da IGF Consultoria, a antecipação do 13° é uma forma de financiamento que costuma ser mais barato do que o empréstimo comum, dado o menor risco enfrentado pelo banco.
De qualquer maneira, o consultor sugere que seja feita uma pesquisa antes de se realizar qualquer empréstimo (inclusive, claro, a antecipação do 13º), já que as taxas variam muito. “O ideal é que esse dinheiro seja reservado para os gastos de começo de ano, uma vez que é sempre melhor se programar para parcelar o menos possível e aproveitar os descontos do pagamento à vista”, diz. Para ter uma base, a reportagem fez um levantamento em alguns bancos. No HSBC, para a antecipação de um salário de R$ 5 mil, a taxa é de 4,19% ao mês, contra 9,38% do cartão de crédito e 5,98% do crédito pessoal. O mesmo montante, no Itaú, carrega juros de 4,83%, para antecipação, e de 6% para empréstimo pessoal.No Bradesco, as taxas variam de 2,95% a 3,95% ao mês. Entretanto, segundo Lignos, existe uma situação em que é recomendado ao profissional pedir o adiantamento desse benefício ao banco: no caso de ele estar afundado em dívidas de altos juros. “Se a pessoa estiver usando constantemente o cheque especial ou arrastando dívidas do cartão de crédito é melhor pedir o adiantamento, porque esses juros são altos e compostos.
“Se não o fizer, quando chegar ao final do ano ele vai ter um problema gigante”, afirma o consultor. “Mas também é importante que isso sirva de lição, analisar o que está errado, repensar, avaliar se está vivendo em um padrão mais alto por que pode pagar, se tem problemas com gastos”, complementa. O consultor alerta ainda para que não se acumulem financiamentos na tentativa de reduzir a carga mensal. Uma situação comum é a da pessoa que, com suas finanças normais, não consegue pagar as parcelas do carro. Ela, então, para quitar uma dívida faz outra e, então, vai se afundando num ciclo vicioso. Denilson Dellezi Guilhem, gerente de gestão e controle da Ben's Consultoria, especializada em benefícios, aponta outra saída para o caso: o empréstimo consignado, que tem o pagamento das parcelas retido na fonte do credor.
“Acho que essa é a melhor alternativa, pois tem as menores taxas de juros. Se a empresa oferece esse benefício ao trabalhador, essa seria a melhor opção porque ele iria pagar uma taxa em torno de 4% que está muito abaixo que qualquer outra”, conta. Engenharia da antecipação Em primeiro lugar, é preciso saber se sua empregadora concede esse benefício. Em caso afirmativo, a antecipação do 13° é feita a partir de um acordo entre a empresa e o seu banco. A negociação pode ser feita diretamente com o banco, ou por intermédio do RH da companhia. É válido ressaltar que cada instituição financeira tem um padrão de serviço próprio segundo o qual, ao solicitar o serviço para o gerente, ou área de crédito, o colaborador recebe uma cartilha de como proceder e que documentação pede ao departamento de Recursos Humanos da empresa. A exigência mais comum, na maioria dos casos, é o funcionário precisar ser correntista do banco em que pede a antecipação. “Apesar dessa relação entre banco e empresa, a decisão e os custos da antecipação ficam totalmente por conta do funcionário. Acontece que, muitas vezes, a companhia já possui um contrato com o banco, de folha de pagamento, e isso facilita na negociação da taxa de juros”, diz Guilhem. “Mas é importante deixar claro que a decisão é individual”, emenda. por Rafael Bresciani |